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  Enfermagem em Saúde Pública
Cartas revelam divergências entre cientistas sobre o uso de vacinas


A tentativa de colocar em prática o conhecimento adquirido na medicina já causou diversas polêmicas ao longo da história brasileira. A vacina contra a febre amarela produzida por Oswaldo Cruz no Instituto de Manguinhos em 1903 e sua tentativa de com ela higienizar o Rio de Janeiro exemplifica o desafio que cientistas podem enfrentar para promover melhorias na saúde pública. Para compreender como se deu o processo de debate na própria comunidade científica na ocasião em questão, o historiador Jorge Augusto Carreta resolveu analisar a correspondência que Cruz enviou a colegas de trabalho, como os pesquisadores Miguel Pereira, Vital Brazil e Francisco Fajardo.

“Evidencia-se, nessas cartas, o grau de incerteza e experimentação que marcava a bacteriologia no Brasil daquele momento, embora, publicamente, ela se apresentasse como conhecimento seguro e inquestionável”, afirma o pesquisador, em artigo publicado na revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos da Fiocruz. Segundo Carreta, cartas de Oswaldo Cruz endereçadas a Miguel Pereira e Vital Brazil, por exemplo, demonstram que os grandes problemas em pauta eram determinar a dose correta do soro ou vacina (havia o receio de que essa provocasse alguma reação tóxica), o melhor modo de administração do produto e o risco de contaminação por outros micro-organismos.

A preocupação dos cientistas da época se agravou com a morte de um deles, o pesquisador Francisco Fajardo. Aparentemente, ele faleceu logo após aplicar com seringa em sua própria região abdominal uma mistura de vacina com soro antipestoso. “Não havia certeza sobre a causa da sua morte. A edição de 7 de novembro de 1906 do jornal Gazeta de Notícias relatou que as opiniões médicas eram contraditórias em mais de um aspecto, ‘permanecendo todas elas no campo das conjecturas e hipóteses’”, comenta o historiador.

“O acidente que levou Fajardo à morte talvez tenha sido um caso isolado, e não permite afirmar com segurança que foi causado pelo soro de Manguinhos. O erro pode ter sido de Fajardo na manipulação ou na dosagem, o que, no entanto, é difícil de acreditar, já que o médico acumulava experiência de alguns anos nos testes soroterápicos”, destaca Carreta. “De qualquer modo, evidencia-se uma não desprezível parcela de incerteza nesse começo da soroterapia no país. O fato deve ter contribuído para fortalecer a ideia de que os soros e os estabelecimentos que os produziam não eram seguros”.

Carreta ainda aponta que era complicado para os cientistas convencer os pares e muitas vezes se recorria à retórica para sustentar as descobertas. Oswaldo Cruz empenhava-se, desse modo, a dialogar com seus opositores ressaltando a pouca intimidade desses com a medicina experimental. “Tão importante quanto o trabalho no laboratório era o trabalho fora dele, a lida com uma variedade de atores com interesses diferentes e que deveriam ser convencidos e alinhados em rede, de modo a permitir a consolidação do conhecimento científico e dos espaços para seu desenvolvimento”, diz o pesquisador. No entanto, por mais que Cruz tenha se esforçado para se desvincular de uma imagem de insegurança e incerteza associada a pesquisas infrutíferas, as controvérsias e o medo ainda permaneciam.

“Porque Oswaldo Cruz era tão enfático em afirmar a segurança do uso de soros e vacinas, se pairava uma incerteza sobre a segurança desses produtos fornecidos por seus colaboradores do exterior e do Brasil? Por certo, além da crença na validade de técnicas de produção de soros e vacinas, era preciso preservar o projeto de Manguinhos e seus planos para a saúde pública”, explica o historiador. “Cruz devia acreditar que era uma questão de tempo até que os soros estivessem totalmente aperfeiçoados e que pequenos acidentes eram toleráveis em nome de um bem maior, a erradicação de moléstias epidêmicas. Porém, ele não conseguiu vencer completamente a desconfiança sobre as vacinas e os soros produzidos por Manguinhos – um temor já se manifestava claramente na discussão sobre a vacina obrigatória, ocorrida dois anos antes da morte de Fajardo”.

 

FIOCRUZ




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