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Falta de cirurgiões cardíacos deve aumentar no Brasil



Falta de cirurgiões cardíacos deve aumentar no Brasil

Envelhecimento da população e falta de formação de novos cirurgiões fará com que déficit atual chegue a 1.000 profissionais até 2020

A falta de médicos especializados em cirurgia do coração é um grande problema atualmente. Em nove anos, deverá ser ainda pior. No Brasil, estimativas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV) apontam para uma lacuna de cerca de 1.000 profissionaisaté 2020. “As doenças cardíacas têm maior incidência em pessoas mais velhas. Em um país em que a população envelhece, como o nosso, é imprescindível que o número de profissionais aumente”, diz Walter Gomes, presidente da SBCCV.

A raiz do problema é a baixa procura pela residência em cirurgia cardíaca. Para reverter esse quadro deficitário, uma série de campanhas será encabeçada pela própria SBCCV. Entre elas, está a tentativa de aumentar o número de cirurgiãs mulheres - hoje, apenas 10% do quadro geral do país é composto por elas. “Existe um medo de não conseguir formar uma família. Mas preparamos uma campanha, com vídeos institucionais, para mostrar pra elas que a cirurgiã cardíaca pode sim ter uma família e ainda ser bem sucedida”, diz Gomes.

Além da campanha, outro fator pode atrair jovens médicos: em 2010, houve um aumento de 200% no valor repassado para a equipe cirúrgica pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Simulador — A própria SBCC está colocando em curso um programa para formar e treinar esses profissionais. A intenção é que os treinamentos primários dos residentes em cirurgia cardiovascular comecem a ser feitos com o uso de simuladores, e não mais no próprio paciente. O treinamento evita erros e prejuízos à saúde do paciente. 

No Congresso, em dois dias, 288 cirurgiões aprenderam novas técnicas e novos procedimentos cirúrgicos no simulador chamado Hands On. Um especialista ensinava para até quatro alunos os pormenores da operação usando um simulador com coração de boi ou de porco. Na sequência, era a vez dos alunos “operarem”. “A ideia vem dos treinamentos de pilotos de avião. Ele simula a operação, cria circunstâncias de erro e, assim, consegue desenvolver habilidades para lidar com aquilo na vida real”, diz Gilberto Barbosa, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenador do Hands On.

Os simuladores usados na atividade, no entanto, não são fruto de uma ideia nova nem os únicos existentes no mercado. Para implementar a própria proposta, a SBCCV acaba de adquirir dois simuladores computadorizados, usados no treinamento de procedimentos endovasculares e minimamente invasivos. Neles, os cirurgiões irão praticar os procedimentos com supervisão de um computador que analisa erros e acertos.

De acordo com Walter Gomes, presidente da SBCC,V cerca de 90 cirurgiões serão treinados todos os anos em cursos ministrados pela própria sociedade em todo o país. “Pretendemos treinar competência cirúrgica e avaliar o nível de treinamento do residente”, diz.

Fonte: Veja.abril.com.br

 



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